Reclamar é uma arte. Não é todo mundo que sabe fazer isso com maestria.
Eu sou reclamona, desde sempre e recentemente me dei conta do porquê. Meu pai. Puxei a ele. Velhinho adooooora reclamar. É seu assunto favorito. Ele reclama do que está ruim e do que está bom porque o negócio é reclamar.
Somos pobres e até pouco tempo eu era a mais bem sucedida da família e por assim ser, sempre fiz o possível para dar aos meus filhos - mom & dad - o que eu não tive na infância e tive que ralar o cão, ouvir desaforos e engolir sapos (mentira, quase nunca, mas isso é assunto pra outro post) para fazer acontecer. Hoje, proporcionei ao meu pai sua primeira viagem de avião, no auge de seus 79 anos. Enquanto, há alguns anos, em sua primeira vez em um voo, minha mãe ficou emocionada, agradecendo a Deus, dizendo que não era merecedora daquela bênção, Dad fez o que? Reclamou! Reclamou que teve que pagar seis paus no cafezinho.
E assim ele é... ele reclama. Reclama do carro de som na rua - sim ele mora no subúrbio; reclama do vizinho e do governo - básico; reclama da minha mãe - coitada, já aturou muito; reclama da SKY porque ele não sabe trocar o áudio e tem que ficar assistindo filme legendado; reclama que a FOX Sport não está transmitindo o campeonato Francês; reclama que quase não passa filme na SKY, sendo que o pacote dele tem diversos canais de filme e faz bem pouco tempo ele só tinha a pobreza da TV aberta... Reclama, reclama, reclama e quer que eu ligue para SKY para reclamar por ele, pois claro, ele não quer se estressar; eu quem estou pagando a SKY para ele - de presente - que me estresse com a operadora, o que, obviamente, não fiz e nem vou fazer. Enquanto isso, o aturo dizendo que é melhor migrar para Oi TV, pra depois ele reclamar também que não está bom.
E assim sendo, aqui estou eu reclamando das reclamações do meu pai.
Terapeutas diriam que somos pessoas insatisfeitas com a vida ou outra crap freudiana qualquer que não vai resolver nosso problema.
O cristianismo diria que somos murmuradores, o que de acordo com a Bíblia é bem verdade.
Outras religiões diriam que estamos atrasando nossa evolução - doesn't matter, não acreditamos em outras vidas.
"Pollyanas" diriam que somos ingratos porque a vida é linda. Hell no! Life sucks most of the time!
Pois, eu digo que reclamar faz bem a nossa saúde e a nossa pele. Ninguém acredita na idade que temos de tão bem conservados que somos. Dad tem finas linhas de expressão e se pintasse o cabelo passaria por um cinquentão fácil, fácil. Já eu, no auge da minha cougar age, chegam a me dar 25 anos, pois não tenho rugas, flacidez e cabelos brancos - arranco todos.
Já Mom, pessoa de personalidade fleumática, que sempre engoliu tudo na vida calada, inclusive as reclamações e chatices do meu pai, se acabou. Tem 73 anos e parece ser bem mais velha que ele - e ela era tão linda... Parecia uma estrela de Hollywood dos anos 60.
Não consigo chegar a outra conclusão que não no fato de que nossas infindas reclamações são nada mais, nada menos que nossa válvula de escape. Somos abstêmios, não fumamos, não nos drogamos e atualmente, nem sexo ta rolando, então o que fazemos? RECLAMAMOS! Com muito bom e mau humor.
Entretanto, ninguém gosta de "reclamões". Nem eu. Às vezes fico boladaça com o meu pai, inclusive quando ele está demonstrando sua "ingratidão" em relação aos meus presentes e meu esforço de dar a eles o que eu não tive, mas ai me toco de que somos muito parecidos - mas nunca sou ingrata com presentes. Presentes são de graça e eu aprecio muito!
Esse exercício tem me feito refletir. Tenho tentado me controlar, mas, é mais forte do que eu, damn it! Está na minha natureza. Não dá pra lutar o tempo todo contra quem eu sou e logo penso: "aceita que dói menos". O problema é que a humanidade, apesar de podre, defeituosa e hipócrita, não aceita pessoas do nosso feitio. Reclamam de você porque você é "reclamão"... look at it!
Piora ainda um pouco quando você está desempregado. Você tem que incorporar a personagem de que você é o tempo todo uma pessoa super legal, alto astral, de bem com a vida e sorrir... sorrir muito, ou não arrumará emprego algum, não importa sua reconhecida competência. By the way, competence is overrated; a qualidade essencial para vida corporativa hoje em dia se chama "inteligência emocional" (essa também é uma pauta para outro post). Mas, voltando aqui pra terra; ai de você ser autêntico!
Bom, como, infelizmente, eu não sou a Paris Hilton, pois se ela fosse passaria a maior parte do meu tempo lendo; comprando roupas lindas e besteiras inúteis; assistindo Netflix; viajando e fazendo cursos de coisas legais para ocupar o tempo, eu preciso tentar me controlar, fazer a Emily Thorne e fingir que sou boazinha all day long.
Por isso, vou reclamar aqui. De tudo e de todos, inclusive de mim mesma, pra desopilar, pois desempregada não tenho plano de saúde, não posso ficar doente e me dar a desgraça de cair num hospital público, e muito menos ficar enrugada porque o botox está pela hora da morte. Julguem-me.
Esse é um blog sobre a minha nada interessante vida, onde eu reclamo de tudo e de todos, inclusive de mim mesma. Este espaço é livre para você reclamar também. Fique a vontade!
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That´s not funny. Not funny at all.
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Pode parecer bobo, mas, até os trinta e nove anos eu era virgem... virgem em falar palavrão. A boca mais limpa que água mineral de Vichy; ...
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