Pode parecer bobo, mas, até os trinta e nove anos eu era virgem... virgem em falar palavrão. A boca mais limpa que água
mineral de Vichy; que laboratório de pesquisa; que incubadora de prematuro. A
pessoa passou os campeonatos Brasileiro e Carioca – sem contar a Libertadores –
de 2007, 2008 e 2009 inteiros, dentro da Raça, vendo o Mengão ser campeão, sem falar
um “porra” sequer ou mandar o Vasco pra “puta que pariu” nem uma vez. Praticamente uma santa, virgem, pura!
Mas, nada como um emprego tóxico,
uma "Síndrome de Burnout" e uma amiga boca suja para mudar sua vida. Aguentei de
2013 a 2015 o assédio moral diário, a cobrança desnecessária e a pressão
descabida sem xingar, só envelhecendo, entristecendo, adoecendo. Até que de tanto ouvir “puta que pariu, meu”
e “tomar no cu, mano” todos os dias, aprendi e foi... libertador! Thanks for
that, Pri!
Desse dia em diante a pessoa que
não falava nem “merda” e que quando dizia a palavra “bunda” perto da mãe era
reprimida, começou um festival de “porra”, “puta que pariu”, “caralho”,
“...tomar no cu” e “vai à merda” sem fim, causando estranheza nos amiguinhos
que me perguntavam se eu beijava a minha mãe com aquela boca. Aaaaah não enche (pra não dizer “não fode”)! Xingar virou minha válvula de escape favorita. Mais até mesmo que a Netflix.
Entrando no “default” carioca, “porra”
virou vírgula; “vai à merda” piada; “puta que pariu” ponto de exclamação; “que
cú” igual a “que chato” e “caralho” quando eu realmente estou puta! Acontece que xingar vira vício e
como todo vício, difícil de se livrar. Até mesmo quando você não quer usar
palavras de baixo calão ou sabe que não deve – como numa partida de videogame
com o enteado de dez anos – o “merda” flui que uma beleza! O mesmo que
falar “oi”, “então” e “por que”!
Longe do ambiente tóxico faz mais
de um ano, me toquei que estou viciada em xingar e estou tentando me policiar
para realmente ser a “lady” que meu amigo Pedro Henrrrrrrique acha que eu sou
ou a pessoa educada e pudica que eu era, mas, não é fácil meus amigos. Estou no
trânsito e me pego soltando um “caralho” quando vejo o coleguinha no carro da
frente fazendo uma barbeiragem e logo digo “_Desculpa, Jesus. Não vou xingar
mais!”, porém, rapidamente me esqueço quando outro "animal" me fecha. Está foda! Nem água
sanitária está dando jeito de limpar essa boca. Tá difícil pra car...cacete!
Cheguei ao fundo do poço quando
meu pai me deu uma zuada no carnaval e eu mandei o dedo pra ele! Oi?
Na mesma hora me toquei da “merda”
que tinha feito e só faltei me ajoelhar pra pedir perdão. Surpreendentemente,
ele até me recriminou de leve, mas, não me deu um esporro fenomenal. Se tivesse
rolado na infância eu teria perdido o dedo ou se xingasse, os dentes, certamente, mas, até que ele foi legal comigo dessa vez. Todavia, eu não sabia onde enfiar a cara de
tanta vergonha que senti e a mulher de quarenta e dois anos voltou a ser a pre-adolescente de onze – porra, Pri! Olha o que tu fez comigo, mano?
Sem dúvida e infelizmente o
palavrão hoje faz parte do meu vocabulário, mas, essa não sou eu. Lendo esse
texto me constranjo só de ver as palavras escritas por mim. Graças a Deus por me sentir assim; sinal que ainda há esperança pra mim. Imbuída
do espírito de voltar a ser uma pessoa civilizada e com a boca limpa como uma
cristã deve ser, estou pensando seriamente em mudar o nome desse Blog de “Putaça.com.br”
para “O Mau Humor Nosso de Cada Dia”, porém, eu ando tão em paz ultimamente e tão
boazinha que acho que seria mais adequado “Coisa Rica em Fofura.com.br”. É algo
a se considerar...
P.S. Meu pai, sendo meu pai, começou a reclamar da casa novinha que comprei pra ele faz nem três anos e já ta com ideia de querer vender. Alguém conhece algum remédio pra apagar fogo no rabo?


Nenhum comentário:
Postar um comentário